O Homem do Saco

Foi em Julho de 1996 que foi publicado o primeiro número da Colecção do Homem do Saco " O Massacre" de Bruno Martins Soares. 

O Homem do Saco tem por objetivo apoiar e divulgar jovens artistas, nomeadamente, através da publicação da sua primeira obra.

Para aquisição de qualquer número desta colecção contacte o GEIC através do This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Preço de cada número: 7€ 


 O HOMEM DO SACO Nº10 - A Vós - de Humberto Ribeiro

 

 

(...) O cupado

era ele, que estava tão, mas tão ocupado

que já não sabia atar os atacadores.

É este um relato alucinante de um ocupado

multifacetado que num curto intervalo de

tempo foi comprar uns sapatos com

atacadores.

A vós, o ocupado (...) 


  O HOMEM DO SACO Nº9 - Caixinha com rodas - de Nyiama Ludo

(...) Não se transplantam para as órbitas oculares

particulares visões do mundo

Nem ainda ninguém inventou

Conteúdos de vida agradáveis

Aplicáveis com adesivo.

Os seus olhos côncavos perderam tijolos.

É isso a fome ter feito rua no corpo.(...) 


 O HOMEM DO SACO Nº8 - Meloso - O Cavaleiro Vilão - de José Faustino

(...) Nas terras de Guidimtesta vagueou uma insólita criatura durante o primeiro quartel dum século passado, de forte personalidade e relação difícil, conhecido por Meloso. Este cavaleiro vilão passava de terra em terra aliviando os mais abastados dos deus patrimónios, com o simples objectivo de viver uma vida de austeridade, decadentemente rica (...)

(...) O chavalo julgava que me engrupia. Falinhas mansas e olhar baixo, um verdadeiro papalvo pronto a ser depenado. Sim, porque gerir um estabelecimento termal não é o mesmo que vender galinhas ou apanhar cerejas, (...)

 (...) A saga de Meloso atinge o seu auge, para uns, clímax para outros, após alguns anos de veraneação e alívio de alheios a que o cavaleiro se dedicou de alma e coração. No esmero da sua acção,  foi algumas vezes agraciado pelo excesso de zelo praticado no alívio de numerário a terceiros pouco cooperantes. (...) 


  O  HOMEM DO SACO Nº7 - 13 BOCAS DE NAVALHA - de Carlos Piecho

(...) Foi um choque brutal. O polícia vinha da direita na brasa, não reparou que o esgoto estava destapado e catrapum, atingiu em cheio a cara/coroa do homem da Companhia das Águas que tinha sido Padre e que se arrependera. Mas porquê, porquê um polícia com pressa? (...)

(...) A beleza do local era espectacular e particularmente emocionante; 10 por cento de cardíacos morriam logo à chegada perante a maravilha da cena. Pinheiros, sobreiros, palmeiras, oliveiras, salgueiros, ciprestes, eucaliptos, castanheiros, embondeiros, choupos, ulmeiros, limoeiros e até enormes plantações de ervilha-de-cheiro estendiam-se pelas margens dando cor (...) 


  O  HOMEM DO SACO Nº6 - PANO PARA MANGAS DE T-SHIRT - de Ricardo Fonseca

(...) Minha pobre alma ... Já não tenho alma neste momento tenho tremores, choques indistintos que me percorrem a pele, e um medo capaz de fazer ter medo a audiência inteira. (...) 

(...) Este verão, tomei a resolução de me casar. Pensara já a propósito disso por altura do Inverno, e cheguei mesmo a considerar a hipótese de só o realizar no Outono. Contudo, e agora que o verão abre, e eu me lembro que o verão sempre me massa, concluo ser este o bom momento. (...)  


  O  HOMEM DO SACO Nº5 - Loony Toons - de Miguel Martins

 

(...) Invejo Richard Hughes calcorreando a China ao lado de Flemming, que lhe explicava exactamente quais as duas únicas ocasiões em que vivemos. Invejo os chapéus aos uzbekis. Invejo todo e qualquer marceneiro, pelo simples facto de possuir uma plaina. (...)

(...) Um marroquino, vendedor de tapetes de tuta e meia, entra no café suburbano, onde a TV, o Benfica/qualquer coisa, é vital. Olha, indagador determinado, até encontrar o jogador seu compatriota. Exulta: "Marroquino!". A sorte de um como paliativo para a desdita de tantos ... Brasil, Pélé; Moçambique, Eusébio; Argentina, Maradona; e para Marrocos este, reduzindo a exigência. A sorte do azar. (...)  


  O  HOMEM DO SACO Nº4 - Nylon da Minha Aldeia - de Psidónio Cachapa

 

(...) Lá fora, na rua, fizera-se silêncio, como se a aldeia soubesse e aguardasse o desfecho.

Muito devagar, o homem tirou o cinto de fivela larga. Três dedos de couro curtido pelos anos a dobrarem-se-lhe na mão. Mas o rapaz não viu, porque as lágrimas não deixavam. E porque não precisava de ver.(...) 


  O  HOMEM DO SACO Nº3 - Agorafobia - de Marta Faria

 

(...) No Centro do largo está um quiosque em vias de degradação a olhar para outro quiosque em vias de decadência e à volta dos dois pastam clientes ou pessoas que não são clientes mas que pastam na mesma e nos seus rastos zumbem pombas que já não voam como as verdadeiras pombas mas que zumbem por ali sempre dentro do largo que não parece exactamente um largo por estar cercado por um gradeamento de jardim que apesar de o ser (...)

(...) No dia-a-dia, Henrique aparentava navegar numa grande apatia, numa embriaguez constante, e, sonhador e reservado, raramente demorava o olhar num ponto que estivesse acima do 2º botão da camisa do seu interlocutor. Era num fundo um tímido! (...) 


  O  HOMEM DO SACO Nº2 - Os Cães estão por todo o lado - de Gonçalo Terra

 

(...) Num dia de inverno cinzento e inóspito, Serena dirigiu-se à baixa para fazer compras. Estava indecisa entre adquirir um par de chinelas em forma de marmota e uma Bereta Centurion de 9 milímetros que tinha visto na montra de um armazém da especialidade. (...)

(...) O ser humano é, como todas as formas de vida, uma consequência directa desse primeiro gesto divino, quiçá uma decorrência meramente acidental do mesmo. Uma excrescência, em todo o caso. A questão é: poderá a poesia justificar a nossa existência? (...)


 O HOMEM DO SACO Nº1 - O MASSACRE - de Bruno Martins Soares

 

(...) Era uma vez, em nenhures e momento algum, uma mente. Não tinha forma ou idade alguma, pois não existia em tempo ou espaço algum. Nada sabia, pois nada existia que pudesse saber. Era também por isso que não existia tempo ou espaço, ou melhor, vice-versa. E, com toda esta ignorância, desconhecia inclusivamente que sabia algo. Tal conhecimento só se tornou acontecimento no final desta história, depois de se inventar o conhecimento. No fundo, como poderia ela saber que sabia, se não sabia o que era saber, uma vez que nada sabia?(...)

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